-> http://passapalavra.info/?p=1579
Com ou sem propaganda abstencionista, não faltam as manifestações de cepticismo na democracia representativa, e o que vemos por todo o mundo é uma colossal perda de legitimidade desses regimes. Por João Bernardo
Os inquéritos sociológicos indicam que a maioria dos participantes em eleições não se ilude quanto à eficácia do sufrágio, por isso vota mais contra um partido ou um candidato do que a favor de outro partido ou de outro candidato. Quer estas pessoas sejam de esquerda ou de direita ou de lugar nenhum, ir pregar-lhes que as eleições são um logro é chover no molhado. Para evocar um exemplo do outro lado do mundo, recordo que nas eleições legislativas realizadas em Madagáscar em 1989 contaram-se cerca de 40% de abstenções, o que a oposição considerou uma vitória, visto que lançara um apelo nesse sentido. Mas como esta taxa de abstenção não parece superior à de outros países onde as oposições apelam à participação no voto, veremos neste artigo que com ou sem propaganda abstencionista não faltam as manifestações de cepticismo na democracia representativa. Com efeito, serão raros aqueles que julgam que podem mudar o mundo através do voto. Uns esforçam-se por conservar o tipo de sociedade em que vivem, sem pretenderem alterá-la, e não há dúvida de que as eleições são adequadas para deixar tudo na mesma fingindo que mudam alguma coisa. Outros, os insatisfeitos, esperam, no máximo, que ao acirrarem as contradições no interior das classes dominantes e ao remodelarem o pessoal governante consigam respirar um pouco melhor. Mas quaisquer que sejam os espaços possíveis de obter através dos resultados eleitorais, o facto decisivo, a meu ver, consiste na enorme taxa de abstenções, e é este aspecto que vou aqui analisar. Deixo de lado os regimes ditatoriais, onde a participação no voto é manipulada e as estatísticas eleitorais são fictícias, e não mencionarei também os países africanos, onde a carência de infra-estruturas de comunicação torna o voto muito aleatório.
Li sentite?
I nostri padroni ci stanno chiamando. Ci stanno dicendo che i prossimi 13 e 14
aprile, per l’ennesima volta, si voterà. Dovremo andare alle urne a mettere una
croce sulle nostre aspirazioni, delegandole ad uno dei tanti candidati che ci
verranno propinati. Uno qualsiasi, a nostra scelta, tanto non c’è differenza.
Chiunque verrà eletto non cambierà nulla della nostra miserabile esistenza su
questa terra sempre più inquinata, avvelenata, corrosa. Continueremo a tirare a
campare, impoveriti dei nostri sogni e desideri, stremati da una giornata di
lavoro, spenti davanti a un televisore acceso. Nel corso degli anni i governi
si sono succeduti l’uno dopo l’altro, l’uno dopo l’altro hanno fatto promesse
più o meno mirabolanti, l’uno dopo l’altro non le hanno mantenute. Mentre chi
abbiamo mandato a scaldare gli scranni del Parlamento gode di immensi privilegi
ed ha accumulato sostanziose fortune per sé e la sua famiglia, a noi è rimasto
solo di morire in una qualsiasi ThyssenKrupp o di soffocare sommersi dalla
spazzatura.